sexta-feira, 1 de julho de 2016

AS TRÊS MUSAS E O GRANDE BARDO



Eu escrevi esse conto em respeito ao grandioso trabalho que toda uma equipe realiza em uma escola na baixada em Rio Branco, Acre. Equipe que me acolheu, me presenteou com possibilidades mágicas, românticas, vivas em pensa-las, desenvolve-las e realiza-las.
Quando escrevi este conto, pensei na grandiosidade de profissionais capacitados para realizar ótimos trabalhos mesmo com tão pouco e de uma assistência ainda sem credito e atenção verdadeira pela educação vinda de políticos, secretarias e/ou ministérios. Pensei em uma equipe que, mesmo em sua pluralidade de crenças, credos, cores e idéais, conseguem trabalhar juntos por um propósito rico que é a educação e o futuro de jovens. Jovens que são carentes - mesmo não desejando falar sobre -, que não podem demonstrar isso diante de sua família (ausente em muitos casos), de amigos (por motivos de zoação) e dos professores ( para não demonstrar fraquezas).
Agradeço com este singelo presente a equipe da Escola José Ribamar Batista, a direção da escola e todo o corpo administrativo, docente e, também, dos alunos que mostram com suas participações memoraveis o otimo trabalho, aprendizado e interesse. Fico realmente emocionado com a ação de vocês.
Desejo sucesso em suas vidas - professores e alunos - nas buscas que pretendem atingir.
Obrigado pelas experiencias lidas, vividas e, pelas possibilidades oferecidas.
Aos professores Daniel Albuquerque, Bell Paixão, Lia AraujoLiliane Silva por me darem mais animo, vontade de realizar o que busco com a Beleza de ideias mágicas


AS TRÊS MUSAS E O GRANDE BARDO



Eu sou um desconhecido,
Não é de mim que contarei ou falarei algo, não! Irei relatar algo ocorrido apenas, em algum momento comigo, mas, desejo aqui, registrar sobre a imanência do Saber, do Sentir e do Criar. Verbalizado para toda a existência.

Poucos ficavam perto de mim, era o desconhecido, o estranho, aquele que ninguém queria saber. Por que, não parecia bom, legal. Ninguém me queria por perto, saber algo sobre mim ou conversar comigo sobre minhas dores, angustias, desejos, duvidas, tristezas. Solidão! Bem, como falei, sou o desconhecido. Sou a representação de todos que, vivem como eu vivia antes das Musas e do Grande Bardo chegarem.

Certa vez, sozinho, estava eu, sentado no pátio da escola. O sinal do intervalo tinha tocado, anunciando o fim de um breve descanso. Um Sinal tocava em meu Ser. Escutando uma música que entorpecia minha alma, com os fones no ouvido, não pude observar uma aproximação sutil de algo Desconhecido. Desconhecido, porque, eram carinhosas, alegres, bonitas e, com tanto Conhecimento atribuído a cada som de seus lábios, movimentos, gestos cheios de História Humana, Filosofia e Arte.
O sol daquela manhã tocava o chão tão fortemente que, ao sentir minha atenção sendo chamada, retirei o fone, e assim, levantei a cabeça, mas suas silhuetas escondiam-se por trás de um brilho forte da Luz. E uma delas falou:

- Sou como a Luz do Sol. E, você está em uma caverna, saindo dela agora, aos poucos, olhar diretamente para mim, poderá te cegar.
- Levanta sua cabeça, sozinho não diminuirá o que sente, se escondendo neste mundo solitário que é seus fones! – Falou a segunda, sentindo minha humanidade esquecida nas sombras por toda a Humanidade.
- Gosto de música, e, gosto da Arte, da criação, da vida que ela nos proporciona. Tenho Paixão, e na Arte temos que ter muito disso. Você tem paixão? Por algo? Por Você? – A terceira, com sua firmeza, de tão direta, rompeu uma densa malha de aço em meu peito e, a vontade de chorar foi tanta, mas me segurei, não sei como. Jamais tinham me perguntado coisas tão simples e com tanto sentimento verdadeiro.

Desc...Desculpe-me! Já estava retornando a sala.

- Não! Queremos você Conosco.

Sentia e ouvia cada palavra proferida por elas. Sem ainda Entender ou Compreender, mas gostaria de Saber. Porque Eu? O que querem de mim? O que querem comigo?

- Queremos saber o que lhe aflige? Seu silêncio nos incomoda. Seremos suas companheiras para sempre. Seremos mais que parte sua, do seu corpo, faremos parte de sua alma. Mas apenas, se permitir isso. – Mesmo sendo apenas uma delas a falar, escutava as outras duas falando sussurrando como se tornasse apenas uma voz.

Pensei: “É assim que nascem os deuses!” - Sou solitário, devido ser comum, não tenho nada a oferecer. Tenho dor em meu peito, por falta de algo que vendem em lojas e em comerciais. Carinho, atenção, Amor e Amigos.

- Somos as Três Musas que o Tempo lhe oferece. Seu entendimento ainda é muito simplório para ter acesso ao que realmente Somos. Por isso mesmo, o Tempo lhe dirá. Não escolhemos ao acaso, por que o acaso não existe, somente a breve ilusão de existência de tal coisa. Somos todas as formas existentes, criadas, sentidas pelos Homens. Somos o Conhecimento encarnado e emanado. Somos teu Futuro Saber, neste Presente momento, deixando o pouco que pensava saber de nós, há tempos atrás em um Passado que não terá significado, não para outros que serão sombras do que você foi certo momento neste bastão de tempo, que molda os dias de vocês. Somos suas professoras, seremos sua Razão, sua Humanidade revitalizada, sua Arte criativa, e isto, para todo sempre. Estamos aqui, agora, mas nossa presença será sentida sempre, mesmo em nossas ausências corporais.  Faça sua escolha a partir deste momento. Deseja ficar Conosco? Retorne a sua sala e Pense.

Eu, um desconhecido, comum, sem nada a oferecer?!. Mas agora, só o que vem em minha mente é, “Conhece-te a ti mesmo”. Abro a porta da sala, e me deparo com um homem, alto de postura forte. Ele me aponta uma carteira bem a frente e logo vai falando: Sou o que verbaliza, sou o que anuncia, sou o que expressa e canta, encanta cada canto do mundo. Em cada Canto do Mundo. Através de mim será transpassado todo o poder das Musas. Vocês poderão escrever, falar, cantar... Se expressar de tal maneira que jamais sonharam que poderiam. Surpreender-se-ão e as pessoas também! Sou o Bardo, a Voz do Tempo. O que fala com vocês contando e cantando a História de vocês homens e mulheres, o registro do Universo. Da Criação ao lugar mais sombrio, existe música e frequência. Ultrassons e infrassons. Pensem em tudo o que puderem, escrevam e descrevam. Iremos musicalizar, oferecer a suas vidas a trilha sonora que irá refletir o que vocês são. Suas essências. Serão poetas como eu, sentirão o poder das musas em vocês. Somente vocês podem escrever o que vocês são e suas histórias.

EU! Escrever o que sou?! Simples e comum? Este professor, este Bardo, deve estar equivocado, acreditando que serei algo a mais do que sou agora.

Em sua postura firme e imponente, chegou perto de mim e, com sua mão posta sobre um dos meus ombros, continuando olhando ao restante da sala, falou: Ninguém é igual a ninguém aqui, todos são diferentes. Suas respirações, o batimento cardíaco de cada um, têm ritmos diferentes. Sintam isso.

Aulas. Terminadas, sair pelo portão naquela manhã foi diferente de tudo. O ar estava mais suave, o arder do sol em minha pele, o som do andar de todos para suas devidas casas pelas calçadas. Tudo diferente. A presença deles é enorme, em mim, em meu coração, em minha mente. Sinto que sou uma nova pessoa, um desconhecido a ser Conhecido. Com tanta alegria por cada descoberta.

Como um relâmpago que atinge o solo, as Musas e o Bardo me atingiram. Rápidos e fortes. Atingiram com palavras e gestos uma parte desconhecida em mim. Suas ações anunciaram a luz existente em mim. Aonde vou, posso vê-los. Posso escutá-los. E sempre solto um leve sorriso por isso.

Em um momento de nossas vidas, vivemos em um mundo sombrio, cheio de guerras internas e externas, preconceitos. As Musas e o Bardo, trazem significados novos e cores. Onde a Ignorância detesta isto, assombrando e tentando afastar o poder que Elas e Ele possuem sobre nós.

Obrigado!

Um conto por Renis R. Silva.