quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A IMPORTANCIA DA PESQUISA, MESMO NA LICENCIATURA

"A Importância da pesquisa, mesmo na Licenciatura."



Existe um preparo, existe também vontade e desejos que os guiarão, vocês futuros profissionais, não importe a área. Com isto, ocorrerá um moldar em sua pessoa e no que buscará para si como conteúdo ao qual se dedicará para uma especialização, pós, mestrado doutorado e assim por diante. Ou pode ser apenas um estudioso que aplica em sua vida e sua comunicação o resultado de tantas pesquisas acumuladas pelo interesse de mais e mais aprendizagem.
Ter isso em mente, é ter o foco da busca, de maneira mais resumida - no sentido de filtro - pelo conteúdo adequado para uma leitura, assimilação, aprendizagem, compreensão e sabedoria daquele determinado assunto. Quando estamos na universidade, e temos o contato pela primeira vez com o conteudo que desejamos entender justamente dentro do campus, parece assustador a primeira vista. Além de confuso. Ter a clareza e calma não é tão facil, ter atenção ao que os professores falam, como dicas de livros, conteúdo, um tema durante as conversas em sala de aula, trabalhos em grupos podem lhe trazer o norte que precisará, além de apresentar de forma indireta a "Pesquisa".
A pesquisa para o desenvolvimento de trabalhos de sala, já são a aproximação dos objetos de estudo para suas devidas formações no mestrado, no doutorado ou algo além.
Nós estamos aqui direcionados ao curso de filosofia, mas isso pode ser levado por quase todos os cursos. Então, escrever e ler é fundamental para uma escrita clara e direta com seu publico alvo. Pode ser através de um blog, e-mails para professores, amigos ou alunos. Desenvolver esta escrita nos trabalhos acadêmicos é uma chance de permanecer treinando cada vez mais seu português, acentuação e demais leis ortográficas que são exigidas dentro da academia.
A pesquisa lhe garante uma melhor compreensão sobre determinado assunto. Esta compreensão irá ser o 'fundamento' para comparações e analises com outras obras e pesquisas realizadas anteriormente por outros profissionais. Suas pesquisas poderão - dependendo do seu empenho - tornar-se um projeto de extensão, livros, artigos e, sua vida. Não estou desejando um profissional preso a uma cadeira e sala [que para algumas profissões é inevitável], mas sim, a 'vida' realizada em desenvolver uma atividade todos os dias por algo valioso para você, que lhe traga um bem estar e tranquilidade em realiza-la.
Com isso, temos aqui, dois depoimentos de professores da Universidade Federal do Acre, que possuem Pesquisas Científicas no campo da filosofia - Ética/Bioética e Filosofia da Ciência, e que podem esclarecer a importância delas para os acadêmicos. O primeiro e o Prof. Dr. Carlos Paula de Morais e o outro, o Prof. Ms. Aristides Moreira:


O Ensino, a Pesquisa e a Extensão, são ligados de uma forma estrutural no Ensino Superior. Principalmente as IFES (Instituições Federais do Ensino Superior) são implicadas nestas atividades, buscando a integração destes três aspectos (pilares) para  a formação dos seus acadêmicos. O Ensino público, seja Bacharelado ou Licenciatura, é implicado no seu aspecto de ligação com a Sociedade e com o progresso do conhecimento nos seus campos do saber. Todos os envolvidos (Discentes e Docentes) têm um compromisso com a atividade de pesquisa, um degrau para a continuidade dos graus acadêmicos (Mestrado e doutorado), especializações, como também a pesquisa no campo da Extensão, visando a integração com a comunidade. 
Creio que é fundamental, para qualquer graduação, seja Bacharelado ou Licenciatura, uma boa experiência de seus discentes na questão da iniciação a Pesquisa. O Ensino não é mera "repetição", mas é, na minha compreensão, um processo dinâmico, aberto a aquisição e aprimoramento das novas gerações. Penso que o elemento educativo da iniciação a pesquisa, ou até mesmo, a questão do "espírito pesquisador" vem de encontro aos anseios de uma sociedade que está em constante transformação, serve ainda, ao fortalecimento do espírito crítico dos educandos.  
Carlos P. de Moraes


Para que serve uma teoria científica? 
Pode-se dizer que, obviamente, serve para dar explicações, fazer previsões e especialmente, resolver problemas. Ocorre que a simples sobrevivência pode ser vista como uma constante resolução de problemas; neste caso, sem qualquer teoria. Ora, o problema relacionado à sobrevivência é prático e de alcance muito limitado. Fala-se então do problema teórico, ou seja, aquele criado no laboratório, normalmente compreendido por poucos e de longo alcance. Este precisa ser enfrentado por uma teoria científica. Neste contexto, ao pensar sobre a importância da pesquisa científica é preciso levar em consideração outros interesses que fogem à alçada do próprio pesquisador. Importante para quê e para quem?
Tomando como pano de fundo a formação de educadores, pode-se estabelecer um limite: qual a importância da pesquisa científica na formação de educadores? Frente a esta questão uma postura defensável parece ser aquela que não dissocie o “preparo pedagógico para atuar em sala de aula” da pesquisa científica. O fazer pedagógico, se levado a sério, em si, é um contínuo pesquisar. Neste sentido, sem pesquisa não há como formar bons educadores. O “professor pesquisador” não nasce pronto. Precisa ser formado/treinado para a pesquisa; e isso só é possível mediante a inserção da pesquisa em sua formação. Nota-se que a pesquisa tem importância capital na formação do educador e que não é possível pensar em defender uma prática pedagógica dissociada da pesquisa.
O debate sobre a importância ou não da pesquisa, às vezes, carece de um aprofundamento do que é pesquisa. O objetivo aqui não é esclarecer este ponto, mas faz-se necessário ao menos ter em mente o fato de que existem a pesquisa fundamental (teórica) e a pesquisa aplicada (prática). Uma pesquisa prática, inevitavelmente, se utiliza de termos e definições oriundos da pesquisa teórica. É impossível compreender uma pesquisa prática sem compreender também o problema que tal pesquisa enfrenta e isso implica a compreensão da malha conceitual que a domina. Portanto, a concepção segundo a qual a pesquisa teórica não tem utilidade carece de uma visão mais ampla do tema.
No que diz respeito à pesquisa filosófica – que é uma pesquisa teórica – vale ressaltar a importância da postura crítica. As interrogações: ‘a pesquisa científica é importante? se sim, para quê e para quem?’, normalmente não são feitas por cientistas, mas por “filósofos” que se dedicam à ciência. Os cientistas geralmente não fazem tais interrogações porque partem de conceitos discutidos pela filosofia (diga-se de passagem, conceitos bem controversos), por exemplo, o conceito de verdade. Eles [cientistas] acreditam que somente aqueles que não querem ou estão momentaneamente cegos por alguma ideologia, não percebem a importância de suas pesquisas e se omitem desta discussão.
Dentro deste contexto, uma das tarefas da filosofia seria provocar esta discussão nas comunidades científicas. Isso é o que se chama prática teórica. Quando se fala em utilidade da filosofia, muitos, com um certo desdém, afirmam que a mesma “não serve para nada”. Esquecem esta finalidade primordial de provocar uma reflexão sobre a própria prática, seja ela científica ou não. No Brasil, o histórico de colônia portuguesa durante séculos, uma independência frágil e uma democracia vez ou outra ameaçada por movimentos totalitários, contribuiu para que o exercício da crítica fosse tido como sem importância ou até mesmo nocivo. O resgate da dignidade da filosofia (no Brasil não se deve falar em resgate da dignidade, pois nunca houve) passa pelo viés da aceitação da crítica como contribuição para o crescimento; e que este pode – e deve – acontecer no pluralismo de ideias. 
Aristides Moreira

Espero que seja um passo esta leitura para suas pesquisas e realizações. Fechando com uma frase que escutei de uma professora na universidade: " Todos são pesquisadores, uns ficam nas margens outros se aprofundam - Prof.ª Ms. Salete Peixoto" . Desejo bons frutos e sucesso nas pesquisas e nos trabalhos de vocês.