segunda-feira, 16 de junho de 2014

TIMÃO DE ATENAS

Ouro? Amarelo, brilhante, precioso ouro? Não, deuses, não sou homem que faça orações inconseqüentes! Esta quantidade de ouro bastaria para transformar o preto em branco; O feio em belo; o falso em verdadeiro; o vil em nobre;

O velho em jovem; o covarde em valente. Isto vai subornar vossos sacerdotes E vossos servidores, afastando-os de vós; vai tirar o travesseiro de debaixo da cabeça do homem mais robusto este escravo amarelo vai unir e dissolver religiões, bendizer amaldiçoados, fazer adorar a lepra lívida, dar lugar aos ladrões, fazendo-os sentar no meio dos senadores com títulos,
genuflexões e elogios; é isto que decide a viúva inconsolável a casar-se novamente e que perfuma e embalsama, como um dia de abril, aquela perante a qual entregariam a garganta, o hospital e as úlceras em pessoa. Vamos! Poeira maldita, prostituta comum de todo o gênero humano que semeia a discórdia entre a multidão de nações.
Ó tu, doce regicida, amável agente de separação entre o filho e o pai! Brilhante corruptor do mais puro leito do Himeneu! Valente Marte!
Galanteador sempre jovem, viçoso, amável e delicado, cujo esplendor funde a neve sagrada que descansa sobre o seio de Diana! Deus visível, que soldas as coisas absolutamente impossíveis, obrigando-as a se beijarem; tu que sabes falar todas as línguas para todos os desígnios, ó tu, pedra de toque dos corações, pensa que o homem, teu escravo, rebela-se, e pela virtude que em ti reside, faze que nasçam entre eles as querelas que os destruam, a fim de que os animais possam conquistar o império do mundo!

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