terça-feira, 17 de junho de 2014

FILOSOFIA NERD. O RPG, VÁRIOS MUNDOS E SUAS VÁRIAS REALIDADES DENTRO DE NOSSA MENTE.




RPG vem de Roler Playing Game, "jogo de interpretação de papéis". RPG significa interpretar um papel. Você finge ser outra pessoa, age como ela agiria e pensa como ela pensaria. Uma espécie de teatro, mas sem um roteiro para seguir: a história apenas vai acontecendo.

RPG é um jogo de faz de conta, um jogo de contar histórias. A história acontece enquanto os jogadores tomam suas decisões, vivendo seus papéis em mundos de imaginação. Sentados a volta de uma mesa, anotando em papéis e jogando dados, eles experimentam aventuras heróicas, viagens pitorescas, batalhas gloriosas e perigos apavorantes. Todo mundo já "brincou" de RPG um dia. Um exemplo disso é a famosa brincadeira de "Polícia e Ladrão" ou "Mocinho e Bandido". A semelhança desta brincadeira e RPG é a representação que está por trás dela. Quando se brincava de "Polícia e Ladrão", um fingia que era o policial e outro fingia que era o ladrão, isto é você interpretava um dos dois. No RPG acontece mais ou menos isso, a diferença está no fato de no RPG haver regras que devem ser seguidas para não dar as brigas que davam quando o policial dava um tiro no ladrão e ele não queria morrer.





No RPG cada jogador interpreta um personagem em um mundo imaginário, controlado pelo Mestre do Jogo que é uma espécie de juiz ou narrador (também conhecido como Game Master ou Dungeon Master). Ele conduz e cria todo um enredo para os personagens dos jogadores, essas situações fazem com que os personagens usem suas habilidades para resolver ou criar situações que darão mais vida à crônica.

Como Surgiu o RPG?

O RPG apareceu em 1974 no estado de Wiscousin, USA, com o lançamento de Dungeons & Dragons pela TSR Games. O jogo foi além das expectativas consideradas absurdas pelos seus criadores, ultrapassou um milhão de cópias em seis anos. No ano seguinte do sucesso de Dungeons & Dragons foram lançados Empire of the Petal Throne e Tunnels & Trolls.  Ainda em 1975 foram lançados mais dois jogos, En Garde (ambiente do tipo "Os Três Mosqueteiros") e Boot Hill (ambientado no faroeste). Em 1976 a TSR fracassa na tentativa de publicar o primeiro RPG de ficção científica, chamado Metamorphosis Alpha que é apenas uma versão disfarçada do Dungeons & Dragons, mantendo as mesmas regras e possuir as mesmas criaturas, com os nomes mudados. 
O primeiro RPG sério de Ficção Científica ocorre só em 1977, chamado Traveller. Este sistema foi o primeiro a incluir um completo sistemas de regras para o gênero. Em 1981, chegou ao mercado o livro Champions, um ótimo RPG para super-heróis que deu origem em 1984 ao Hero System, o primeiro RPG universal (permitia criar diversos ambientes com o mesmo conjunto de regras). Essa idéia seria aproveitada por Steve Jackson em GURPS.
Nessa mesma época foi lançado MERP (Middle-Earth Role Playing) que enfocava um mundo de fantasia descrito por J.R.R. Tolkien em seus livros.
Ao longo de todo este período o RPG se firmou como um novo gênero de diversão vindo a ter revistas dedicada a ele, videogames, camisas, HQs, entre outras atividades (como esta Home Page). 
Quem vence?

Ninguém e todos. Uma partida de RPG não termina com vencedores ou perdedores. Vencer ou perder não é importante, nem competir.

Este é um jogo de cooperação. Em uma partida de RPG, temos um pequeno grupo de jogadores e um mestre. O mestre propõe um desafio e os jogadores, com seus personagens, tentam superá-lo. Na verdade eles apenas fingem que participam da aventura, ela se passa na mente, na imaginação de cada jogador.


Você está preparado?


RPG é diferente dos outros jogos que você conhece. É como assistir a um filme ou ler um gibi, mas com VOCÊ participando da história.

Sim senhor, pode esquecer o conforto e a segurança da poltrona do espectador: neste mundo de aventuras e perigos, VOCÊ deve lutar para sobreviver. VOCÊ deve decifrar os enigmas, encontrar as saídas, combater os inimigos e lutar por um final feliz.
Final? As aventuras nunca terminam...

QUAL A PARTICIPAÇÃO DO RPG COM A FILOSOFIA?

O RPG tem vários ambientes, desde o medieval fantástico até o punk-gótico ou cyber-punk futurista. Tem vários comportamentos e visões sobre determinados assuntos, situações e faz explorar vários CONCEITOS, p. ex., Bem, Mal, Bom, Ruim, Deus, Individualidade, Criação, Fantasia, Realidade, Virtual.

Criar um Personagem pode ser mais filosófico do que pensamos ou conseguimos ver a primeira vista. Porque? Bem, ao criar a forma de falar, pensar, agir deste personagem é oferecer ao mundo Real ou da Fantasia esse comportamento. Eu estou dando ao mundo a característica do Personagem ou é uma linguagem minha que estou expressando usando uma parcela do meu EU para que o mundo escute, veja o que passa em minha Mente?

Será que podemos atingir a Perfeição das Idéias, A Fantasia não pode ser Real?  Tantos conceitos a serem explorados dentro de uma roda com amigos, através de um jogo de interpretações, experiências que podem levar diante de Abismos mas também podemos andar por terrenos planos tão extensos que nossa mente ainda não consegue vislumbrar um fim, caso exista.

Acredito que por ter vários Nerds hoje criando sistemas operacionais, métodos empresariais, códigos e linguagens que estão rompendo barreiras ou paradigmas filosóficos, éticos, morais, etc... se trata justamente por serem garotos que visualizaram possibilidades novas e por testarem essas possibilidades em jogos como os de RPG

O uso do RPG nas escolas não é novidade. Várias escolas juntamente com professores já notaram o potencial desta ferramenta. Uma tarefa de casa onde os alunos podem levar dias, semanas e até anos fazendo com amigos e alunos de outras escolas. Explorar a imaginação, linguagens dos jovens e a criatividade usando um jogo para atingir conceitos e correntes filosóficas é algo maravilhoso e um facilitador para tirar o estereótipo de que a filosofia é chata e maçante para o estudo e entendimento.

Muitos professores na área de filosofia reclamam do tempo curto das aulas, poucas aulas por semana por turma e a impossibilidade de usar recursos novos para o ensino de filosofia nas escolas. Criar oficinas para o uso do RPG seria fundamental ou básico para difusão de uma nova forma de ensino e de forma flexível. Mesmo tendo um intervalo grande entre aulas, o professor terá os alunos ligados a seus personagens e a mente trabalhando sobre possibilidades.

Além do potencial de leitura que o RPG oferece para os jogadores e para o narrador, com o mínimo de leitura dos livros básicos de algum dos sistemas escolhidos, livros básico esses que servem de orientação para criação do enredo, personagens e ambientação, são os livros do Narrador, Livro do Jogador e em alguns casos Livro dos Monstros. O jogo de RPG oferece ferramentas como diálogo, explora novas línguas, conhecimento de História, Geografia, Redação, Português, Inglês, Francês, Culturas, Esoterismo – caso queira se aprofundar na parte religiosa e/ou mística de algum personagem ou cultura. Explora a desinibição por parte dos jogadores, já que terão que falar como seus personagens irão agir e participar de trabalhos em equipe. Raciocínio lógico e rápido para entrar ou sair de situações.
Criatividade, o poder de visualizar situações no lugar do outro. O papel do Mestre por exemplo, ele tem que tentar em algumas situações imaginar e prever o que os jogadores irão fazer, antecipando jogadas e movimentos. O estudo cada vez mais profundo de culturas e costumes para o enriquecimento das campanhas com detalhes, faz com que o Mestre ganhe mais conteúdo e passe isso adiante para os jogadores.

Professores e alunos, vejam o POTENCIAL e ATUALIZEM-SE. Usem o RPG como uma ferramenta para o ensino da filosofia. Fica a dica. O RPG parece muito o método montessouriano de ensino, onde:
A pedagogia Montessori produz uma série de cinco grupos de materiais didáticos:
·                    Exercícios Para a Vida Quotidiana
·                    Material Sensorial
·                    Material de Linguagem
·                    Material de Matemática
·                    Material de Ciências
Estes materiais são constituídos por peças sólidas de diversos tamanhos, formas e espessuras diferentes; coleções de superfícies de diferentes texturas e campainhas com diferentes sons. Tudo visando o prazer absoluto do aluno.
O "Material Dourado" é um dos materiais criado por Maria Montessori. Este material baseia-se nas regras do sistema de numeração, inclusive para o trabalho com múltiplos, sendo confeccionado em madeira, é composto por: cubos, placas, barras e cubinhos. O cubo é formado por dez placas, a placa por dez barras e a barra por dez cubinhos. Este material é de grande importância na numeração, e facilita a aprendizagem dos algoritmos da adição, da subtração, da multiplicação e da divisão.
O "Material Dourado" desperta no aluno a concentração, o interesse, além de desenvolver sua inteligência e imaginação criadora, pois a criança, está sempre predisposta ao jogo. Além disso, permite o estabelecimento de relações de graduação e de proporções, e finalmente, ajuda a contar e a calcular.

O aluno usa (individualmente) os materiais à medida da sua necessidade e por ser autocorretivo faz sua auto-avaliação. Os professores são auxiliares de aprendizagem e o sistema peca pelo individualismo, embora hoje sua utilização seja feita eventualmente em grupo.
No trabalho com esses materiais a concentração é um fator importante. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação, e, quando terminam, a criança se solta, feliz com sua concentração, comunicando então com seus semelhantes num processo de socialização.
A livre escolha das atividades pela criança é outro aspecto fundamental para que exista a concentração e para que a atividade seja formadora e imaginativa. Essa escolha realiza-se com ordem, disciplina e com um relativo silêncio em consideração à perturbação dos professores.
O silêncio também desempenha papel preponderante. A criança fala quando o trabalho assim o exige, a professora não precisa falar alto. ( Durante o RPG os jogadores aguardam sua vez analisando a situação e prestando atenção no narrador/mestre)
Pés e mãos tem grande destaque nos exercícios sensoriais (não se restringem apenas aos sentidos), fornecendo oportunidade às crianças de manipular os objetos, sendo que a coordenação se desenvolve com o manuseio dos citados instrumentos. ( Durante o RPG o uso de sons, movimentos e expressões é fundamental para o enriquecimento da imaginação e vivencia da estória)
Em relação à leitura e escrita, na escola montessoriana, as crianças conhecem as letras e são introduzidas na análise das palavras e letras; estando a mão treinada e reconhecendo as letras, a criança pode escrever palavras e orações inteiras.
Em relação à matemática os materiais permitem o reconhecimento das formas básicas, permitem o estabelecimento de graduações e proporções, comparações, induzem a contar e calcular.

"A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir"  Maria Montessori

Texto de Renis Ramos
Publicado por Renis Ramos


Fontes: Metodo Montessouri, RPG