quarta-feira, 14 de maio de 2014

Treinar, treinar, treinar. Vá Treinar!!! Filosofia, Academia e Arte Marcial


Filosofia +
‘’A Atuação Filosófica busca mostrar que a filosofia esta presente em nosso dia a dia, mas pelo agito de nossas atribulações acabamos não dando a atenção apropriada, de que, a filosofia é parte de nossa observação, falar, agir, pensar, analisar, criticar e questionar. Então surge a Filosofia+ que busca revelar a filosofia junto a nossa rotina, além das formas mais comuns “hoje” de relacionar-se social e virtualmente. Queremos usar uma forma mais flexível para o ensino da filosofia, aos estudantes e a todos os interessados.’’ 

Esta é a forma como ia começar esse artigo (aqui a chamada do projeto), mas decidi modifica-lo devido a preocupação que tive em ensinar filosofia nos dias de hoje. Porque? Bem, ensinar filosofia nos dias de hoje é ir para sala de aula, falar de um assunto que muitos alunos não estão interessados em ouvir ou estudar, por ser ou parecer difícil, não se tratar de um assunto de suas vidas e rotinas, por mais que estejamos falando de PENSAR. Ensinar filosofia em sala de aula é participar da vida com o aluno, trocar experiências tão fortes que marcam seu pensar, agir, falar... suas almas! Ser professor para alguém novo nessa profissão é enfrentar UMA REALIDADE ou A REALIDADE – que são várias verdades juntas. Quero junto aos alunos, a comunidade, aos expectadores desse blog, proporcionar pelo menos uma forma nova de pensar ou enxergar o mundo e poder ensinar algo que fará parte das vidas destes adolescentes, adultos ou crianças. Não é falar de forma rebuscada e difícil, mas falar a mesma linguagem e não se achar mais do que qualquer pessoa. Espero que gostem da Inciativa FILOSOFIA +. 
Vamos aqui nesse primeiro trabalho, tentar ver a possibilidade de um estudo sobre as pessoas que entram em academias e nas artes marciais e desenvolvem habilidades, virtudes e conceitos. E onde o profissional de educação física participa nisso com a filosofia..


Filosofia + Educação Física

     O curso e o profissional de educação física estudam de forma cientifica os corpos, atividades físicas que moldem e proporcionem uma melhor qualidade de vida para o corpo. Produzem programas de atividades que podem ser aplicados em salas de aula para crianças e adultos, podem e devem orientar atletas com atividades que melhorem seus desempenhos dentro do campo de atuação deste atleta. O condicionamento físico preparado com um profissional de educação física garante uma avaliação profissional, onde ele saberá a forma mecânica apropriada para aquela pessoa pelo seu peso, condicionamento, altura, resistência e, atenderá com uma visão parcialmente clinica sobre o corpo e saúde com uma orientação de ingestão de líquidos e alimentos que garantam uma atividade física sem prejuízos.


O professor de educação física orienta alunos para um mundo de divisão, competição, formação e trabalho de equipe, ética, regras, postura, liderança, preparação para superar e se manter em controle dentro de situações complicadas ou tensas como líder e/ou membro de uma equipe. Além da questão física o profissional de educação física gera na mente de crianças, adolescentes e adultos uma nova visão sobre essas pessoas e as que estão associadas em grupos para atividades esportivas. A Filosofia possui vários campos da ÉTICA a ser estudada nos dias de hoje, o professor de educação física irá explorar a melhor para trabalhar as pessoas nesses campos de forma direta. Liderança, conduta, disciplina, regras, limites como ensinar isso para alunos, atletas, pessoas comuns de forma tão fácil e prático que tome parte da vida destes sem que eles se deem conta que uma outra pessoa conduziu elas a uma nova forma de pensar sobre SI?! Não é só malhar, não é só ter músculos, sim, precisam ter QI para isso.

Jaiso Guilherme, acadêmico de Educação Física da UFAC nos fala: ‘A educação física é uma área do conhecimento humano ligado ao estudo e atividades de aperfeiçoamento, manutenção e/ou reabilitação da saúde do ser humano, usando um conjunto de atividades físicas não competitivas e esportes com fins recreativos, focando nas habilidades básicas do ser humano como um todo. Como andar, pular, saltar, quadrupedar, lançar, trepar (ato de escalar), estudos mecânicos do corpo como capacidades, resistências, no caso do professor (licenciado), ele vai trabalhar as atividades motoras básicas no aluno para desenvolver nele como um ser humano por completo, para ensinar sobre a consciência corporal e isso tudo através de jogos, brincadeiras e esportes’.
Com essa atenção buscamos ver, escutar e conhecer como que esse profissional trabalha dentro de duas qualidades físicas mais procuradas hoje em dia, e, ver como atendem e em que se diferem. Essas duas qualidades físicas são: a arte marcial e a academia de musculação. O corpo e a filosofia são os instrumentos que ligam essas duas modalidades a serem estudadas.

O Filósofo René Descartes (1596-1650), em uma de suas obras que ganhou destaque com o nome de ‘O Tratado do Homem’, desenvolveu com profundo estudo nesta obra, o mecanismo perfeito do corpo humano. Ele separa o corpo e a alma e explica como cada um funciona. Sempre comparando o corpo a artefatos e autômatos pelo mecanismo interno destes, por exemplo o sistema circulatório a tubos hidráulicos e por ai vai. Na obra ele mostra a complexidade do Corpo (do Homem). Ítalo Moura Guilherme descreve em sua tese de mestrado em filosofia algo sobre o corpo e a alma sob a ótica de Descartes: 
                     
[...] principiar pela composição de alma e corpo no homem e descrevê-los separadamente. O esforço dessa descrição se dá por mostrar que o próprio corpo possui um movimento orgânico próprio, sendo desnecessário à alma participar como motor primário desse organismo. Este “mover por si mesmo” do corpo é análogo a qualquer outro objeto artificial, como os moinhos e relógios[...]

Para Descartes a alma tem um campo especifico: o pensamento, então, iremos com isso buscar entender como as pessoas pensam e se movem com o objetivo para o 'culto' ao corpo dentro das academias de musculação, onde buscam atingir de forma rápida um resultado de definição, mas que não garantirá uma qualidade de vida adequada, sem orientação de um profissional adequado. Pedindo ajuda de amigos ou de usuário da própria academia para atingir esses resultados, em alguns casos ate usando produtos ilícitos, isso tudo para ser o mais forte, com mais músculos.

Boa parte dos praticantes de academias de musculação entram para acompanhar amigos ou parentes como motivação para a atividade física. Existem também dentro da academia os que buscam apenas distração ou uma forma de se exibirem, afinal, corpos delineados em roupas de laycra chamam a atenção. Existem os que acabam se descobrindo dentro academia, com uma nova conduta, alimentação, respeito pelo corpo, pelo o que come, como andar, sentar, abaixar. Cada dia cuidando do corpo leva ao desenvolvimento dos músculos, ao ponto de que alguns praticantes chegam a possuir um corpo realmente desenvolvido por méritos seus e do profissional que passou bastante tempo ao lado orientado e apoiando para chegar naquele nível. 

Existe um modismo de que fazer parte de um grupo que vive na academia é fazer parte da ‘geração saúde’, sendo que, muitos se vestem para ir academia, saem para academia, mas não fazem nada dentro da academia além de mexer em celulares e conversar pelos corredores. As pessoas vão para academia se mostrar no mercado. O culto ao corpo perfeito garante que todos que estão ali dentro estão para possuir um corpo e exibi-lo o máximo que puder. ‘Existe um falta de compromisso por muitos que entram na academia’ - citam alguns professores (personal trainer) - os alunos pagam suas matriculas e constroem um plano de atividades que desejam realizar conosco, mas eles são faltosos com suas próprias agendas e sempre estendem para o mês seguinte a meta que desejam cumprir. Não podemos forçá-los a nada, os aparelhos estão disponiveis e nós também.

Encontrei academias que disponibilizam profissionais formados em educação física para orientar em caminhadas e corridas para um melhor condicionamento físico, mas, muitas pessoas fazem isso por si andando ou correndo em grupos, sendo que cada pessoa possui um ritmo, não respeitar isso pode levar a lesões musculares, na coluna ou estiramentos.


As academias são um parque de exibicionismo e falta de disciplina? Não, existem pessoas que se dedicam como falamos anteriormente. Acabam se descobrindo com essas atividades, dando um novo sentido a sua vida, descobrindo seu corpo. O que dificulta muito o trabalho do professor ou profissional dentro de uma academia são as pessoas que assistem na internet movimentos de musculação, atividades físicas que ‘’garantem’’ um corpo definido em dias e passam isso adiante e tomam para si esses movimentos.
Fazer as pessoas pensarem a respeito do seu corpo, de conhecer cada parte sua, seus limites e necessidades é um trabalho difícil.
Vejam uns videos de pessoas que falam e espalham coisas absurdas na internet sem preparo algum.

Rodrigo Ferraz e a malhação sarada em casa com pochete - injete gel no seu corpo e faça videos dizendo que você malha que só!

Exercicios penosos para o corpo - ir para academia e não pedir ou ter orientação de um profissional não serve de nada... nossa!!!!

Conhecer a Si mesmo é mais que um mote famoso, é saber realmente quem você é, o que você quer e busca alcançar na vida. Ir para uma academia e saber escutar um profissional preparado para orienta-lo é uma lição primorosa. Podemos descobrir que nosso corpo pode oferecer força e resistência sem ter um excesso de músculos que servirão apenas para exibicionismo.
Prova disso, um video curto onde mostra o campeão de braço de ferro contra um praticante de musculação. 

E a arte marcial? Como é o ambiente e o trabalho de um professor dentro de uma academia de arte marcial. Conversamos com o professor de jiu jitsu ClaudioRoberto (Peteleco), que ensina arte marcial há 15 anos e possui 18 anos de prática, ele nos falou que em sua academia existem outras modalidades onde a procura é muito grande, p. ex. Muai Thai. A modalidade é procurada porque as pessoas (principalmente mulheres) viram o resultado em uma revista X que uma artista Y tinha reduzido tantos quilos em poucos dias, então, com esse exemplo a procura da modalidade é alta devido o resultado rápido na artista. Com isso a procura é estritamente estética e pelo tempo. Assim, boa parte dessas pessoas que procuram a modalidade desejam o mesmo resultado no mesmo tempo descrito na revista X. A dedicação e disciplina pela arte marcial, a história, fundamentos, conduta e estrutura que a arte marcial pode oferecer não é praticada por essas pessoas, e em um período bem rápido a desistência na academia é grande, ficando assim os que realmente tem interesse e dedicação. Na academia mesmo do professor, os mais antigos possuem 4 e 6 anos de pratica na arte do Muai Thai.

O prof. Claudio Roberto nos fala que: ‘Existe um filtro natural dentro da academia, durante a primeira semana já conseguimos visualizar pelos novos alunos quem realmente irá ficar e se dedicar aquela atividade. Existem muitos que sempre se esforçam mais em criar desculpas por faltas longas do que pela prática a arte marcial ou as atividades físicas. Existem pessoas que pagam o primeiro mês na academia e só chegam a vir duas aulas e depois desistem, quando encontramos na rua, sempre já nos abordam com desculpas por não ter continuado. Existe no meu grupo de jiu jitsu gente que começou comigo criança e está até hoje, faz parte já de sua vida. Possuem família, trabalho, estudo e mesmo assim, possuem tempo para a prática da arte marcial. A filosofia da arte marcial: Respeito, conduta moral, disciplina, dedicação  e o equilíbrio da Mente, Corpo e Alma, formando o triangulo Gracie, base fundamental do estilo que ensino. Não importa o lado que esteja para baixo, sempre estará em equilíbrio com as outras duas pontas’.

Todas as artes marciais buscam o equilíbrio de corpo e mente? Sabemos que a Filosofia na Grécia antiga tinha como estudo o corpo, anatomia, músculos, um preparo físico que chegasse ao mais próximo do corpo divino. A filosofia buscava entender o corpo, a mente e o que ligava os dois ao divino. 

Muitas das artes marciais tem origem no Oriente, onde tem uma base filosófica bem diferente da ocidental. Ética, conduta, virtude, honra, disciplina, respeito, obediência, concentração, preparo físico, domínio da mente e corpo através de longos exercícios de respiração aliados a meditações fazem com que os praticantes tenham uma maior compreensão sobre si, conhecimento sobre suas capacidades e auto controle. Trazendo para o lado ocidental desta pesquisa, tomamos como base uma família brasileira que adaptou o ensinamento de uma arte marcial – jiu jitsu – e conseguiu ganhar em nível mundial respeito e reconhecimento como jiu jitsu brasileiro, que é a Família Gracie, detentora do estilo que o professor Claudio Roberto é formado e ensina em sua academia. 


Temos que colocar um ponto importante aqui, para diferenciar isso tudo, a arte marcial agora conhecida como jiu-jitsu brasileiro, possui filosofia oriental mesclada a ocidental, por ter fundamentos desenvolvidos pelo fundador deste estilo, alem de um dos maiores trunfos do estilo Gracie que é a alavanca. Isso nos leva novamente a Descartes com seus estudos sobre o corpo, a alma e a mecânica ou matemática. 

Descartes desenvolveu estudos matemáticos sobre alavancas, parábolas e outros temas importantes e usados até nos dias de hoje sobre a matemática. Desenvolver toda uma técnica mecânica onde possibilite um corpo menor de mover algo maior é surpreendente. Algo que mesmo os orientais não tinham enxergado e que possibilitou pessoas franzinas de aprenderem e não se sentirem medrosas ao deparar com grandalhões. Colocar isso na pratica dentro de uma luta marcial foi um grande feito do Helio Gracie.


     Vejam só, a arte marcial não precisa de músculos desenvolvidos e sim de uma compreensão muito maior e refinada sobre suas capacidades, sobre como poderá antecipar a situações de perigo, tensões e descontrole.
     Temos aqui uma breve entrevista com Sensei Mauro Salgueiro que ensina AikiDÔ, arte marcial bem conhecida e que ganha cada vez mais espaço nas acadêmicas. Onde busca o desenvolvimento do ser e a harmonia com o todo –  a Natureza.


Muito obrigado por aceitar Sensei Mauro Salgueiro essa entrevista. Vamos as perguntas.
Atuação Filosofica - A arte marcial existe para a defesa pessoal, para uma busca de se tornar confiante, mas existe uma filosofia em todas elas, essa filosofia se torna parte da vida do praticante? Sempre?

S. M. S. - Em tese sim. Deixamos bem claro aos alunos que para que todas as técnicas sejam utilizadas corretamente e eficazmente, ela tem que estar embasada na filosofia do Budô. Não podemos deixar que a defesa (golpes ou contragolpes) se torne banais. Essa filosofia do Zen e do Budo tem que estar impregnada o tempo todo no praticante. Infelizmente nem sempre ela está em todos.

AF - Essa filosofia é aceita por todos os que buscam realmente conhecer a arte marcial?

S. M. S. - Na entrevista para ingresso em meu dojo, eu deixo isso claro para o interessado. Mas podemos dizer que é aceita (digo no meu caso) por 99% dos alunos.

AF - Conversando entre nós descobrimos que existem frutos podres, são pessoas que buscam a arte marcial, mas a filosofia dentro da arte essas pessoas não aceitam ou vivem. São os pit boys, que buscam o corpo marcado pelo tatame, orelhas deformadas, corpos musculosos e uma reverencia ou respeito somente pelos 'fortes'. A filosofia da arte marcial não chega até essas pessoas devido o que? O professor, a academia, a mente deles, o grupo todo?

S. M. S. - Um pouco de cada. Infelizmente as artes marciais foram desenvolvidas na época de guerras (tudo começou na Índia e não na China ou Japão)  onde a sobrevivência era pelo mais forte/técnico/preparado. O que ocorre hoje é a cultura da banalização. Da submissão e da desmoralização. É como um Pit Bull, por mais que a raça seja de briga, se dermos um caminho e um tratamento com disciplina e carinho, o animal não será agressivo; assim é o praticante desprovido de um Mestre por trás.

AF - Dentro do Aikidô, existem símbolos como o quadrado, circulo e o triangulo. Esses símbolos possuem uma filosofia para reflexão do praticante que pode conduzir sua vida para algo sempre melhor?

S. M. S. - Teoricamente é o descrito abaixo: O Triângulo é a postura, a base do praticante.
O círculo é a forma, a ligação, a fluidez da técnica que é geralmente "espira lítica".
O quadrado é o chão, o dojo, o tatame, onde encontramos o suporte para nossa base.

AF - Dentro da arte marcial existe a Força, mas ela é primária ou secundária nesse caminho?

S. M. S. - Dizer que nenhuma arte marcial utiliza força, seria pura demagogia. Basta vermos hoje competições de Judô e Jiu Jitsu, a cara e o esforço dos competidores. Na verdade ela não poderia existir tudo teria que ser técnico. Mas eu digo, até para usar a força, há de se ter técnica. No Aikido a força não deve ser utilizada.

AF - A filosofia da arte marcial é criada pelo fundador como algo que seja o pilar que sustentará essa arte. Se for o pilar, a força e os golpes são apenas ferramentas, então, o pensamento e a conduta moral é muito mais valiosa que o próprio objetivo marcial - hoje em dia por melhor dizer.

S. M. S. - Respondo pelo Aikido. Sim, a técnica, golpes e etc. são ferramentas para o desenvolvimento do ser humano. Para alcançar a calma, a paz e a disciplina. Nós realizamos palestras em empresas mostrando como o aikido nos leva à harmonia em qualquer situação de stress e de conflito. O’SENSEI Morihei Ueshiba (fundador do aikido) dizia que o aikido é a arte do amor, da harmonização com a natureza e uma maneira de conciliar o mundo.

AF - Eu posso ser um mestre, praticante sem me preocupar com o corpo, e conduzir somente a mente e postura dentro de um tatame?

S. M. S. - Sim, no aikido todos podem praticar. Pessoas de diversas idades (corpos já não tão fortes), sexo e físico. Temos a maior diversidade de corpos no nosso dojo. Desde pré-adolescestes até pessoas com mais de 60 anos. Sendo que a forma de executar as técnicas pouco diverge. Claro que quanto mais fora de forma e peso eu estiver piora o desempenho de resistência. Eu mesmo estou fora do peso em 40 quilos; porém continuo tranquilamente dando duas horas de aulas seguidas.


AF - Como um educador dentro de um tatame, o senhor acaba tendo que conhecer estrutura e mecânica do corpo, limites que possa levar cada novo aluno, para que seu corpo se aprimore. Ser um profissional dentro das artes marciais sem se preocupar com esse preparo mesmo tendo vasto conteúdo filosófico não pode ser danoso ao aluno e ao professor?

S. M. S. - Sim, temos que saber onde as técnicas podem causar lesões. Temos que respeitar o limite de cada praticante; seja físico, técnico ou até psicológico. Se um professor não tem esse cuidado, danos podem ocorrer e gerar uma grande dor de cabeça.

AF - As pessoas que chegam até a academia de arte marcial com a busca pela definição de corpo, se transformar em uma massa de músculos e usar os quimonos apenas como símbolo de 'geração saúde /esporte' acabam sendo filtrados com o próprio tempo?

S. M. S. - Claro  que existe a cultura do Tatame, dos que usam kimonos para mostrar que são lutadores, impressionar meninas e meninos. Tudo uma grande besteira. Se quiseres um corpo musculoso, procure uma academia de musculação. Se quiser saúde e bem estar, de quebra uma noção de defesa... o caminho é esse. Caso contrário é fadado ao fracasso. No Aikido não é comum. Como é uma arte pouco conhecida, que não tem competição e que mostra que a harmonia é a melhor saída, a procura por esse tipo de pessoa é pequena ou nenhuma.


AF - Mesmo eles tendo o interesse e um objetivo de realização com o corpo, mas sem re-educação alimentar, postura dentro e fora da academia como pessoa, disciplina, pode levar essa pessoa ao sucesso ou realizar sua busca de atingir um corpo definido dentro de uma arte marcial?

S. M. S. - Não acredito. Claro que haverá uma melhora devido aos exercícios físicos e aeróbicos. mas sem uma alimentação equilibrada e uma postura focada, isso não irá acontecer.
AF - O corpo é valioso ate em que ponto dentro da arte marcial? Precisa ter um biótipo para ser considerado um praticante de arte marcial?

 S. M. S. -Definitivamente não. Mesmo nas artes de competição há categorias diversas.
AF - a filosofia oriental e a ocidental em alguns aspectos se diferem, conhecimento sobre energia (chi, chacras) são bem incomuns pelo publico aberto que não estudou a respeito, isso deve ser falado aos poucos dentro das aulas, como fica a mente desses alunos que não conseguem se assimilar com esse conteúdo, sentir, visualizar e/ou compreender esse plano dentro da filosofia oriental?

S. M. S. - Claro que deve ser falado. Tudo parte da energia. Aos poucos vamos introduzindo na cabeça do aluno essas informações e mostrando como que somente os músculos não respondem sozinhos. No Aikido o praticante sente isso logo nas primeiras aulas, o que facilita nosso trabalho. Também municiamos os alunos com livros, textos e matérias acerca disso.

AF - Se o senhor quiser fazer alguma consideração a respeito de algum tópico, fique a vontade.

S. M. S. - As artes marciais são ferramentas maravilhosas para o desenvolvimento físico, psicológico e disciplinar do ser humano. A mesma pode e deve ser usada com cautela na defesa de sua integridade e de outrem. A mesma tem que ser utilizada com respeito, disciplina e ordem. Para ter tranqüilidade e saber onde está treinando, certifique-se do local do treino, do professor e dos alunos que freqüentam. Procure um local regulamentado, federado (ou confederado) e antes da matrícula, acompanhe alguns treinos. Sinta a energia do local. Somente ingresse se sentires que a seriedade, disciplina, zelo e a legitimidade fazem parte do mesmo.
Bons treinos
Doumo Arigato Gozai Mashita.

Conclusão: Ter um profissional que tenha um treinamento adequado - técnico e prático - além da parte filosófica onde possibilite uma orientação adequada é fundamental. Sim isso é claro! Explicar e tornar isso de facil entendimento na mente do praticante de arte marcial e dentro de uma academia também é. Criar novos hábitos para a pratica destas atividades não só pela propaganda de "geração saúde" é fundamental. A filosofia é fazer pensar a respeito de SI também, não somente questões Cósmicas, Divinas ou cientificas como a maioria acredita ainda ser presa. Pensar é uma Arte, e você possui sua linguagem própria para isso, colocar sua criticidade em prova e não estar preso e limitado. Porque faço isso tudo? Se eu deixar de fazer as pessoas se afastarão de mim? Quero chamar a atenção porque? Só o que tenho para oferecer ao Mundo é isso meu corpo?  Porque fujo as orientações de profissionais e busco meios errados para atingir por meios mais rápidos e duvidoso sucessos que irão causar danos futuros?

Escrito por Renis R. Silva
Fotos: Google