quinta-feira, 10 de abril de 2014

Academia de Athenas e a referencias dos filósofos

A identidade de alguns dos filósofos como Platão ou Aristóteles, são inegáveis. Além disso, as identificações de figuras de Rafael tem sido sempre hipotéticas. Para complicar, além de Vasari alguns receberam múltiplas identificações, não só com antigos, mas também com figuras contemporâneas a Rafael.
Luitpold Dussler conta entre aqueles que podem ser identificados com alguma certeza: PlatãoAristótelesSócratesPitágorasEuclidesPtolomeuZoroastro, o próprio Rafael,Sodoma e Diógenes. Outras identificações ele assegura serem "mais ou menos especulativas"
Uma lista mais abrangente de identificações propostas é dada abaixo:


Os nomes entre parênteses são de personalidades contemporâneas de quem supostamente Raphael pensou ser fisicamente semelhantes.
1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eleia 
2: Epicuro 
3: desconhecido (acredita-se ser o próprio Rafael)
4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles
5:Averroes 
6: Pitágoras 
7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 
8: Antístenes ou Xenofonte 
9: Monalisa, Fornarina como uma personificação do Amor ou ainda Francesco Maria della Rovere 10: Ésquines ou Xenofonte 
11: Parménides 
12: Sócrates 
13: Heráclito ou Miguelângelo
14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 
15: Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 
16: Diógenes de Sínope 
17: Plotino 
18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 
20: Ptolomeu
R: Apeles (Rafael).

SOBRE CADA FILOSOFO:

Platão e Aristóteles:

Os dois grandes filósofos gregos representam a filosofia teórica e natural. SOb o braço direito, Platão carrega Timeu, um de seus diálogos. O filósofo acreditava que um mundo de formas ideais existia além do universo material e por isso foi retratado apontando para o céu. Platão se parece com Da Vinci, contemporâneo de Rafael, a quem o pintor está rendendo tributo. Já Aristóteles segura sua famosa Ética e gesticula em direção ao chão, já que acreditava que o conhecimento só é alcançado por meio da observação empírica do mundo material.


Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.) foi um filósofo grego de origem ateniense. É um ícone da filosofia ocidental, sendo o seu ponto de partida; tanto que era por isso que os filósofos anteriores a ele, os pré-socráticos, eram chamados assim, pois o modelo de pensamento deles era anterior ao nosso, que começou a surgir com Sócrates. Em ponto de vista religioso, ele era cético.

Era filho de um escultor e de uma parteira. Sócrates recebeu uma educação padrão, que incluía ginástica, música e gramática. Pouco se sabe da sua infância e juventude.

Vivia de forma humilde, andando descalço por Atenas. Ensinava filosofia nas praças públicas, sem cobrar nada pelos seus ensinamentos, diferente dos sofistas.

Este filósofo foi praticamente um reformador da filosofia grega, e futuramente, pai de toda filosofia ocidental. Fez com que a busca de conhecimento, antes centrada no estudo da natureza, passasse a se ocupar do homem e suas ações.

Seu método de ensinar consistia em fazer perguntas que conduzissem o discípulo a buscar a verdade, nascendo assim o método socrático.

Casou-se com uma mulher chamada Xantipa, que tinha temperamento difícil, com quem teve três filhos. No fim de sua vida foi considerado um perigo para a sociedade e, confundido com os sofistas, acabou acusado e condenado à morte. Preso, morreu ingerindo a cicuta - um veneno comum na época - em 399 a.C. Sócrates elaborou sua própria defesa, comentando e refutando as acusações de corromper a juventude e não venerar os deuses da cidade.

Parmênides de Eléia (cerca de 530 a.C. - 460 a.C.) foi um filósofo pré-socrático nascido em Eléia, na Magna Grécia, atual Itália. Fundou a escola de Eléia, qual teve também como outros membros Zenão de Eléia, Melisso de Samos e Xenófanes.

Quem foi seu mestre é uma dúvida: Para alguns estudiosos ele era discípulo do pitagórico Amínia. Para outros, ele seguia o pensamento de Xenófanes. Foi amigo do jovem Sócrates.

Foi considerado um homem exemplar pelos seus contemporâneos, por ter levado uma vida regrada e digna de ser considerada um exemplo.

Em sua filosofia se destaca monismo e imobilismo. Ele propôs que tudo o que existe é eterno, nada muda, nada acaba, tudo é imóvel.

Parmênides considera que o pensamento humano pode atingir o conhecimento genuíno e a compreensão. Essa percepção do domínio do "ser" corresponde às coisas que são percebidas pela mente. O que é percebido pelas sensações, por outro lado, é, segundo ele, enganoso e falso, e pertence ao domínio do não-ser. Trata-se de uma oposição direta ao mobilismo defendido por Heráclito de Éfeso, para quem "tudo passa, nada permanece". Seu pensamento influenciou a chamada "teoria das formas", de Platão.

Ao contrário da maioria dos filósofos precedentes, que divulgaram seus pensamentos em prosa, Parmênides era um poeta e escreveu sua grande obra, "Da Natureza", em versos hexâmetros semelhantes aos de Homero. Além disso, ele atribuiu suas idéias a uma revelação divina.

Hipátia de Alexandria (355-415) foi uma filósofa e matemática neoplatônica. Sua orientação religiosa normalmente é apontada como pagã, apesar de não haver documentos que afirmem isso. Era filha de Teón de Alexandria, filósofo, matemático e astrônomo. É considerada uma das mulheres mais importantes na história da filosofia.

Cresceu num ambiente cercado de cultura e livre expressão, sendo guiada por seu pai nos estudos da Matemática e Filosofia. Ele acreditava no ideal grego da “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo, contam às lendas que ele desejava torna-la “um ser perfeito”.

Ainda jovem viajou a Atenas para complementar seus estudos. Era conhecida na Grécia como “A Filósofa”, já demonstrando cedo sua profunda sabedoria. Em Atenas tornou-se discípula de Plutarco. Sua defesa fervorosa ao livre pensamento, seus ensinamentos neoplatônicos, sua observação de que o universo era regido por princípios matemáticos a caracterizaram como uma herege em um momento onde o cristianismo prevalecia sobre o paganismo. Foi uma grande mulher, seu erro foi ter nascido numa época imprópria para seu pensamento.

Em 415, Hipátia foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e os atiraram as chamas.

Morria com ela toda uma era de liberdade e florescimento filosófico e cultural em Alexandria e certamente para todos que viviam sobre a espada afiada da nova religião.

Heráclito:

A linguagem corporal expressiva de Heráclito lhe dá um ar de melancolia. O filósofo grego pré-socrático era comumente chamado de "filósofo chorão" e é representado apoiado em um banco de mármore, onde parece escrever pensamentos sombrios numa folha. A figura é um retrato de Michelangelo, outro contemporâneo de Rafael que trabalhava próximo, pintando o teto da Capela Sistina.

Euclides:

Inclinado, demonstrando um exercício matemático com um compasso, o matemático grego Euclides, considerado o pai da Geometria, aparece cercado por um grupo de jovens. A figura é um retrato do arquiteto Bramante.

Pitágoras:

No lado oposto a Euclides é possível identificar o célebre filósofo e matemático Pitágoras. Assim como Euclides, o matemático é atentamente observado por um grupo de alunos, enquanto demonstra teorias de geometria.

Zoroastro e Ptolomeu:

Ao juntar em uma mesma obra as maiores mentes da filosofia, Rafael teve a oportunidade de representar discussões que nunca poderiam ter acontecido. Uma delas doi a de Zoroastro, profeta e filósofo da antiga Pérsia, com Ptolomeu, matemático, geógrafo e astrônomo grego. Ptolomeu acreditava que a Terra era o centro do universo e por isso foi representado com um globo terrestre na mão esquerda, enquanto Zoroastro segura uma esfera celeste.

Zenão de Cítio (em grego: Ζήνων ὁ Κιτιεύςtransl. Zēnōn ho KitieŭsCítio333 a.C. — Atenas263 a.C.) foi um filósofo da Grécia Antiga. Nasceu na ilha de Chipre. Lecionou em Atenas, onde fundou a escola filosófica estoica por volta de 300 a.C. Com base nas ideias dos cínicos, o estoicismo enfatizava a paz de espírito, conquistada através de uma vida plena de virtude, de acordo com as leis da natureza. O estoicismo floresceu como a filosofia predominante no mundo greco-romano até o advento do cristianismo.

Epicuro de Samos (em grego antigoἘπίκουρος, Epikouros, "aliado, camarada"; 341 a.C., Samos — 271 ou 270 a.C., Atenas) foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador.

Abu al-Walid Muhammad ibn Ahmad ibn Muhammad ibn Rushd, em árabe أبو الوليد محمد بن احمد بن محمد بن احمد بن احمد بن رشد, (Córdoba,1126 — Marraquexe1198) foi um filósofomédico e polímata muçulmano andaluz conhecido pelo nome de Averróis, distorção latinado antropônimo árabe.
Membro de uma família de juristas, estudou Medicina e Filosofia. É um dos maiores conhecedores e comentaristas deAristóteles. Aliás, o próprio Aristóteles foi redescoberto na Europa graças aos árabes, e os comentários de Averróis muito contribuíram para a recepção do pensamento aristotélico. Averróis também se ocupou com astronomia e direito canônico muçulmano.
Sua filosofia é um misto de aristotelismo com algumas nuanças platônicas. A influência aristotélica se revela em sua ideia da existência do mundo de modo independente de Deus (ambos são co-eternos) e de que também não existe providência divina. Já seu platonismo aparece em sua concepção de que a inteligência, fora dos seres, existe como unidade impessoal.
No âmbito religioso, sua interpretação do corão propõe que há verdades óbvias para o povo, místicas para o teólogo e científicas para o filósofo e estas podem estar em desacordo umas com as outras. Havendo o conflito, os textos devem ser interpretados alegoricamente. É daí que decorre a idéia que lhe é atribuída de que existem duas verdades, onde uma proposição pode ser teologicamente falsa e filosoficamente verdadeira e vice-versa.

Alcibíades ou Alcibíades Clinias Escambónidas (em gregoἈλκιβιάδης Κλεινίου ΣκαμβωνίδηςAtenas450 a.C. — Melissa, Frígia404 a.C.) foi um general e político ateniense.
Alcibíades descendia de família ilustre (Nota: Seu avô também se chamava Alcibíades e era amigo de Clístenes). Tendo ficado órfão, foi educado por Péricles, de quem era sobrinho. Em vista disso, cresceu entre os dirigentes da democracia ateniense.
Alcibíades também era amigo e entusiata do filósofo Sócrates que lhe salvou a vida na campanha de Potidéia (em 432 a.C.) e a quem salvou em Delion. Plutarco escreveu que Alcibíades "temia e reverenciava unicamente a Sócrates, e desprezava o resto de seus amantes". Como decorrência dessa íntima amizade, Alcibíades aparece em dois diálogos de Platão: um que leva seu próprio nome e n'O Banquete. Também é citado por Aristófanes na peça As rãs.
A fama conquistada nas batalhas permitiu que em 420 a.C. Alcibíades fosse escolhido estratego. Em 414 a.C., comandou uma malfadada expedição contra Siracusa, na Sicília. Ao mesmo tempo, Alcibíades viu-se implicado (junto com Andócides), na profanação de estátuas do deus Hermes e dos mistérios de Elêusis. Acusado de sacrilégio e destituído em alto-mar, desertou e refugiou-se em Esparta, cujos costumes severos chegou a adoptar por algum tempo.
Durante anos instigou os espartanos numa guerra mais activa contra os atenienses levando ao fracasso em Siracusa.
Em 411 a.C., foi eleito comandante da esquadra ateniense em Samos e conquistou duas importantes vitórias sobre Esparta e que recolocou o domínio do Mar Egeu nas mãos deAtenas. Em 407 a.C., era recebido de volta na terra natal com o apoio do Partido Democrático. Pouco depois, foi responsabilizado pela derrota de seu preposto Antíoco em Notium e retirou-se para Queronéia. Nesse período, tentou evitar o desastre naval de Egospótamos, mas seu conselho não foi ouvido. Em 406 a.C. foi para a Trácia e depois para a Pérsia, onde inicialmente contou com o apoio do sátrapa local, Fernabazes. Este, contudo, instigado pelos espartanos, mandou assassinos ao encalço de Alcibíades, que acabou sendo morto em sua casa.

Antístenes (em gregoἈντισθένηςAtenasca. 445 a.C. — Atenas, 365 a.C.) foi um filósofo grego, pupilo de Sócrates. Aprendeuretórica com Górgias antes de se tornar um ardente discípulo socrático. Adotou e desenvolveu o lado ético dos ensinamentos de seu mestre, advogando uma vida ascética, vivida de acordo com a virtude. Escritores posteriores consideraram-no fundador da filosofiacínica.
Era filho de um ateniense com uma escrava trácia, por isso, não tinha nem o título nem o direito de cidadão ateniense. Nenhuma de suas obras sobreviveu, e de sua produção restaram apenas fragmentos.

Xenofonte (em grego antigoΞενοφῶνtransl.Xenophō̃nca. 430 a.C. — 355 a.C.), filho de Grilo,1 originário de Erquia, uma deme deAtenas, foi soldadomercenário e discípulo de Sócrates. É conhecido pelos seus escritos sobre a história do seu próprio tempo e pelos seus discursos de Sócrates.
A data de nascimento de Xenofonte não é conhecida. Na sua Anábase, que narra acontecimentos ocorridos entre 401 e 399 a.C., é sugerido que Xenofonte seria um pouco mais novo que o seu amigo Próxeno, o qual tinha cerca de trinta anos aquando dos acontecimentos2 . A maioria dos estudiosos coloca portanto a sua data do seu nascimento no ano 430 a.C. ou um pouco depois 3 .
Xenofonte era originário de uma família rica e influente em Atenas4 . Como tal, terá participado nos recontros finais da Guerra do Peloponesoincorporado nas fileiras da aristocrática cavalaria ateniense5 .
Estrabão conta que, após uma derrota ateniense em que Sócrates e Xenofonte haviam perdido seus cavalos, Sócrates encontrou Xenofonte caído no chão, e carregou-o por vários estádios, até que a batalha terminou.1
Xenofonte parece ter estado alinhado com o aristocrático governo dos Trinta Tiranos instalado por Esparta em Atenas após a derrota final desta cidade na Guerra do Peloponeso6 . A queda deste governo numa revolução ocorrida em 403 a.C. terá sido um importante factor motivador para que Xenofonte se juntasse à expedição de Ciro7 .
Quando jovem, Xenofonte participou na expedição contra Artaxerxes II, liderada pelo próprio irmão caçula do imperador persa, Ciro, o Jovem, em 401 a.C. Xenofonte diz que se aconselhou com o veterano Sócrates se deveria ou não ir com Ciro, e Sócrates indicou-lhe o oráculo de Delfos. Sua pergunta ao oráculo, no entanto, não foi de aceitar ou não o convite de Ciro, mas "para qual dos deuses deveria rezar e prestar sacrifício, para que pudesse completar sua pretendida jornada e retornar em segurança, com bons resultados". O oráculo lhe disse para quais deuses. Quando Xenofonte retornou a Atenas e contou para Sócrates o conselho do oráculo, Sócrates o reprimiu por fazer a pergunta errada ao oráculo, mas disse: "Já que você fez essa pergunta, você deve fazer o que alegrará o deus." (Esse é o único relato de contato pessoal entre Sócrates e Xenofonte em todos seus escritos.)