terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O medo da Intimidade, o Vício de se Editar e o Ciclo da Solidão

Escrito por Mako Abe

Quantas conversas já não tivemos?
Quantas frases soltamos e pensamos que seria melhor de outro jeito?
Quantas vezes encarar alguém que evitamos encarar durante muito tempo?
Quantas situações entramos sem saber o que dizer, ou que nada parece certo?


[Imagem: Google: http://leandrooriente.com/media/mendigo-facebook.jpg]

O mundo real é do improviso, interações sociais nos levam numa montanha russa de emoções e adrenalina, e negar isso é negar a vida.


No mundo virtual podemos rever nossas conversas, repensar nossas mensagens, e quer maior vantagem que essa?!
Quantos segundos ou as vezes minutos algumas pessoas ficam reeditando mensagens com medo de que a outra pessoa vai entender isso ou aquilo?
Nos editamos a todo instante, não postamos fotos que não mostra o nosso melhor lado, e temos a ilusão de que desviamos a atenção do interessado em nós sempre, nunca deixando nos ver, mas a imagem que projetamos.

Um dos fatores que geram essa doença social é o fato de que o máximo de pessoas que o ser humano pode conhecer bem é 150 pessoas, no caso dos macacos esse número está entre 25 e 50, a partir daí o grupo é dividido.

Esse é um fator sociológico, vivemos com esse número, desde os primórdios, e o que faz uma doença ser doença é um desequilíbrio em algum lugar, e ele vem da mídia, da celebração do sucesso e de conhecer gente, ou melhor dizendo, ter “amigos” e isso não traz nada, apenas é mais uma injeção na veia de mídia social, mas que o efeito passa logo, como heroína.

E o que resta depois é a abstinência chamada Solidão.

Não queremos nunca estar frágeis, como escrevi em outro texto, transparente é diferente de ser de vidro.

Por termos esse sentimento achamos sempre que seremos ouvidos ou que devemos ser ouvidos para existir, e para existir precisamos compartilhar.
E compartilhando alimentamos o vício e continuamos o ciclo.

Usamos a tecnologia para nos definir e mostramos nossos sentimos neles, sentimentos digitais? Sentimentos falsos, muitos até mentem sobre os sentimentos, sobre as experiências, viver uma mentira é mais confortável, só mais uma injeção anti-solidão, só mais uma.

A questão mais importante aqui é que se queremos ficar o tempo inteiro conectados, evitando estar sozinho, como conseguiremos ser únicos se não olhamos pra dentro, sozinhos?

A vida só acontece com movimento.

Postado por Renis R.

Fonte: Destruidor de Dogmas