quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Concepção de Movimento segundo Zenão




 Foto de Eadweard Muybridge


Escrito por Rafael Medina Lopes 



Zenão de Eléia, em sua aporia da flecha ou aporia do movimento: Um arqueiro jamais atingirá o alvo com sua flecha. Uma Flecha, ao voar, está em repouso, porque uma coisa está em repouso quando ocupa um lugar idêntico a si mesmo. Assim, a cada instante, a flecha estará em repouso quando ocupa um lugar idêntico a si mesmo. Assim, a cada instante, a flecha estará ocupando um espaço idêntico a si mesma e, portanto, estará em repouso. Se atingir o alvo, devemos concluir que o movimento não é senão a soma dos repousos e que, portanto, o movimento é repouso e o repouso é movimento, o que é contraditório.
O argumento tem como base, o fato de que, em um espaço divisível o movimento é inviável. Portanto, reduz-se a mobilidade da realidade em um conjunto de imobilidades, ao partir do pressuposto que o movimento pode ser dividido em espaços de tempo e que estes dados espaços são imóveis.

Crítica Bergsoniana
No entanto, o fato é que, embora o espaço possa ser dividido em infinitos pontos, tornando, em tese, a mobilidade inviável, o movimento existe, e este dado empírico não pode ser negado. Isto já é um indício de que não se deve fundar o tempo no espaço, vejamos o contra exemplo de Bergson:
Tenho a mão no ponto A. Transporto-a para o ponto B, percorrendo o intervalo AB. Digo que esse movimento de A para B é algo simples ... enquanto levamos nossa mão de A para B, dizemo-nos que poderíamos detê-la num ponto intermediário, mas então já não lidaríamos mais com o mesmo movimento.
Este exemplo mostra que o movimento é indivisível e portanto, não pode ser reduzido ao espaço. Só consigo definir pontos possíveis de parada depois do movimento todo executado, mas enquanto o movimento se dá ele é único. Portanto, se o espaço pode ser dividido e o movimento não, ele deve estar em alguma ordem outra que não a espacial.
Note como na foto abaixo o pneu e as pessoas ao fundo parecem se deformar. Nesta imagem a camera capta o movimento indivisível da realidade.
 Foto de Jacques Henri Lartigue