quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Cosmologia dos índios do Alto Juruá sobre mudanças climáticas

As mudanças climáticas vêm sendo estudadas principalmente pelas ciências exatas e da natureza. Buscaremos nesse trabalho agregar o ponto de vista da antropologia ao estudos sobre o assunto. Nossa pergunta é: Como os povos da região do alto Juruá observam e vivem as mudanças climáticas? Eventos climáticos extremos, como chuvas inesperadas e grandes alagações ou inundações, fazem parte das memória desses moradores da floresta. Essas memórias são transmitidas por gerações. Assim, as histórias de inundação que se destacam no alto Juruá ainda permanecem vivas. O clima é muito importante para as pessoas que vivem na floresta, sendo um saber que está relacionado às necessidades práticas do mundo da vida. Para dar conta desse saber, coletamos observações de ex-seringueiros e agricultores, dos Huni Kuin e dos Ashaninka sobre o clima e suas variações, sobre estações e previsões. Com isso, obtivemos uma visão sobre diferentes olhares, dentro das respectivas visões de mundo, sobre as transformações climáticas. Esses grupos, ao longo de gerações, desenvolveram conhecimentos sobre o ambiente e sobre o clima. Entendemos que é parte do papel da Antropologia mostrar esses conhecimentos, visibilizando os saberes tradicionais sobre a natureza. Essa tarefa é hoje importante, tratando-se desse tema de relevância global e local. Esperamos que esse estudo venha a ser uma contribuição ao que se pode chamar de uma Antropologia do Clima.
E assim começamos a palestra da Dra. Erika Mesquita na Biblioteca da Floresta, sobre A Cosmologia dos ìndios do Alto do Juruá sobre mudanças climática. Participaram do evento estudantes, pesquisadores, antropólogos, indígenas, entre outros interessados. Também estiveram presentes o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso Pontes; a presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Francis Mary; o assessor para Assuntos Indígenas do Governo do Estado, Zezinho Yube Kaxinawá; e o pró-reitor de Assistência Estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac), Emerson Gaspar.
 







Foto: Camila Holsbach                                        Dra. Erika Mesquita - Antropologa

A Dra. Erika abordou a linguagem do ribeirinho e dos povos indigenas para leitura do clima, que em tempos passados era ainda possivel analisar pelo comportamento de animais, germinação e a floração de algumas plantas sobre chuva, sol, frio, estiagem e etc. Algo que hoje não é tão facil até mesmo pelos antigos e sábios homens dentro dessas tribos - os pajés (xeripiari em um dos grupos). Alguns grupos relacionam esse problemas aos 'brancos' enquanto outros atribuiem aos Yuxin (espíritos). Toda essa leitura que poderia ser vista, analisada e usada em tempos antigos (não tão antigos assim), pode e deve ser guardado e estudado como toda linguagem e conhecimento. É algo extremamente valioso e rico.

TESE PDF